COLORAÇÃO CITOQUÍMICA

 

         Esta modalidade de coloração é mediada por reação química e mostra substâncias intracelulares com cores específicas, perceptíveis à microscopia ótica.

         Várias colorações citoquímicas especiais podem definir melhor e mais especificamente as características celulares. Elas também nos permitem distinguir linhagens celulares, e são úteis no diagnóstico de malignidades hematopoiéticas.

         Podemos utilizar amostras frescas de sangue periférico, medula óssea, linfonodos e baço. As colorações mais utilizadas na rotina são as peroxidases, o azul da prússia para ferro, o sudan black B para demonstrar lipídeos, o ácido periódico de schiff que detecta glicogênio intracelular e a fosfatase alcalina leucocitária, enzima presente no citoplasma dos neutrófilos.

 

COLORAÇÃO CITOQUÍMICA DAS PEROXIDASES:

 

         Nos grânulos citoplasmáticos está presente uma enzima, a mieloperoxidase, que age sobre o peróxido de hidrogênio (H2O2), produto do metabolismo celular, liberando oxigênio que oxida a benzidina, formando um composto corado.

         As células possuidoras da enzima peroxidase terão seus grânulos corados de verde ou verde-azulado e estas células serão peroxidase positivas.

         Esta coloração citoquímica é utilizada na distinção entre as células de origem mielóide e linfóide. As células da linhagem mielóide são peroxidase positivas, enquanto que as linfóides são peroxidase negativas. Na leucemia mieloblástica, 25 % dos leucócitos são peroxidase positivos, enquanto que na leucemia linfoblástica, 95 % dos leucócitos são peroxidase negativos. Nas leucemias agudas, quando presente um grande número de blastos, a peroxidase torna-se uma técnica segura para a diferenciação entre mieloblastos e linfoblastos.

 

AZUL DA PRÚSSIA OU PERLS:

 

         É utilizado para identificação do ferro celular na forma de ferritina ou hemossiderina. A reação se processa na interação de íons ferrocianeto com íons férricos no interior da célula, resultando um produto de cor azul-esverdeado chamado ferrocianeto férrico.

         O azul da prússia é utilizado para detectar ferro no interior do eritroblasto (sideroblasto), no histiócito (SER) e identificar corpúsculos de Pappenheimer nas hemácias.

         O corante pode ser aplicado em cortes histológicos, porém sua grande atuação é no aspirado de medula óssea, na identificação do depósito de ferro e ferro sideroblástico.

 

SUDAN BLACK B:

 

         O sudan black B revela lipídeos, especialmente os fosfolipídeos intracelulares. O padrão de coloração corresponde ao das peroxidases, sendo positivo para as séries neutrofílicas e eosinofílicas, negativo para os linfócitos e fracamente positivo para os monócitos.

         Utilizada para diferenciar leucemia mielóide aguda (LMA) de leucemia linfóide aguda (LLA), possui a vantagem sobre a peroxidase por permitir corar esfregaços mais antigos.

 

ÁCIDO PERIÓDICO DE SCHIFF (PAS):

 

         O ácido periódico de schiff revela glicogênio intracelular. A maioria das células hematopoiéticas são PAS positiva, por este motivo, a reação tem pouco valor no diagnóstico das leucemias agudas.

         Seu valor diagnóstico se faz presente na confirmação da Eritroleucemia (LA-M6) na classificação FAB.

 

FOSFATASE ALCALINA LEUCOCITÁRIA (LAP):

 

         Há nos tecidos hematopoiéticos, principalmente no citoplasma dos neutrófilos, atividade da fosfatase alcalina. Algumas metodologias são usadas para quantificar esta enzima, sendo a principal a de Kaprow.

         Este procedimento envolve o uso de naftol e violeta B, produzindo um precipitado vermelho brilhante.

         O estudo da LAP tem uma grande utilidade prática, nos auxiliando no diagnóstico diferencial das doenças hematopoiéticas. Seu principal interesse se aplica nas síndromes mielo proliferativas (SMP), especialmente na diferenciação da leucemia mielóide crônica (LMC) e reações leucemóides, onde a atividade da LAP é alta.

 

CONCLUSÃO:

 

         Estas são as colorações mais usadas na prática hematológica, porém temos outras colorações citoquímicas tais como: fosfatase ácida, esterase específica, esterase inespecífica, azul de orto-toluidina, verde de metila pironina e desoxinucleotidil terminal transferase (TDT).

         Além da citoquímica, foram desenvolvidas técnicas imunológicas. Utilizamos na prática atual, técnicas de imunofluorescência e imunoenzimáticas tais como a imunoperoxidase e o complexo avidina-biotina.

         Ainda dispomos de estudos citogenéticos e marcadores imunológicos para o diagnóstico das doenças do tecido hematopoiético.

 

Maio - 2004

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